sábado, 22 de maio de 2010

Demorei um pouco ate entender aquilo que eu estava vendo. Estava vendo uma criança, vestida de palhaço. As vestes já velhas, coisa de 3ª ou 4ª mão. O rosto mal pintado, sugerindo que foi ele mesmo quem se pintou. E, calçado de pernas altas. Pernas de pau. Era uma “esperança” vestida de palhaço, no sinal de transito, pedindo dinheiro, cambaleando sobre aquelas madeiras. Depois ela andou bem devagarzinho sobre a calçada. Parecia a ilustração de algum livro, como se tivesse saído do papel e andasse. Parecia cansada, sonâmbula, mas determinada. As pernas davam a sensação de tão quebradiças, que se uma folha caísse sobre a criança, despencaria. Ela, a “esperança” vestida de palhaço, movia-se com uma determinação, como se fosse o chefe de uma família. (E devia mesmo ser). Essa desnutrida esperança, de pernas compridas que caminharia de carro em carro, andava em triste silencio, sem tragédia. 

2 comentários:

G. disse...

Oi... O cenário descrito foi mesmo triste. É uma realidade cada vez maior das grandes cidades brasileiras (do mundo, provavelmente)... Às vezes, quando penso em palhaços (palhaços em geral, não necessariamente a criança mencionada), fico imaginando se por trás do sorriso pintado que visa arrancar outros sorrisos, o artista na verdade não esteja ele mesmo num choro profundo de dar dó... Obrigado pelo texto, obrigado por sua companhia em meu blog, obrigado por me permitir acompanhar e comentar nesse seu espaço.

Yeruska disse...

G., exatamente... Penso que, a grande maioria das pessoas, pra não dizer todas, possuem um palhaço triste em seu Eu mais Profundo...Por vezes, a nossa maquiagem não é tão explicita, não é tão concreta..Mas, está presente em um sorriso, que na verdade não passa de um choro em outro formato...
Obrigada pela sua presença por aqui..SEja muito bem-vindo!!!

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