segunda-feira, 31 de maio de 2010



Por favor,
Homem revoltado
Homem ludibriado
Homem usurpado
Homem ignorante
Homem passivo
Homem covarde,
Deixa este Nariz aí!
Tira este Nariz do rosto!
Este Nariz é do Palhaço.
Faz parte da alma dele.
Não é utensílio de fracos.
Respeite-o.
Quer protestar?
Vai a luta!
Mostra a tua cara não a do Palhaço,
Quer fazer greve?
Mostra a tua cara não a do Palhaço.
Quer reclamar do governo?
Quer reclamar dos bancos?
Quer fazer uma revolução?
Quer mudar o mundo?
Mostra a tua cara não a do Palhaço.
E se conseguires alguma transformação,
Aí sim, o Palhaço te concederá o seu Nariz.
Mas o Palhaço não é esta frouxidão que tu és.
Não te confundas com o nobre Palhaço.
Há muito ele é o condutor da alegria,
Da sensibilidade, da liberdade, da emoção,
Da docilidade e da verdade também!
Ele não se oculta como tu.
Há muito habita o universo mágico da pureza
E por isso é tão sentido pelas crianças.
O Palhaço não é aquele lado teu que foge de medo,
Que não enfrenta a luta nem se expõe.
Tira então este Nariz, Homem!
E mostra a tua própria cara.
Pode ser que teus problemas comecem a ser resolvidos.
E quem sabe um Palhaço sorrirá para ti?
Se fores um lutador de verdade.
Autor: Paulo Roberto

sexta-feira, 28 de maio de 2010



Coloca sua máscara para sobreviver.
Sorri, chora, fica brava, faz pirraça.
Desnorteada sente que vai enlouquecer
e como palhaço acha graça da desgraça.

No picadeiro da vida faz malabarismo,
mágica e se arrisca no globo da morte.
Sofre inquieta sem entender o absolutismo,
o desmando de gente que se acha forte.

Parem com esse falso espetáculo,
deixem que a máscara do palhaço caia,
que consiga atingir seu pináculo
mesmo que só consiga vaia.


terça-feira, 25 de maio de 2010


Não sei se gosto ou se me acostumei com a minha condição, mas sair de casa se tornou um grande desafio, uma épica aventura homérica. Talvez o maior problema não seja ser notado, mas sim não me sentir fuzilado e nu, diante de tantos carrascos.

Quem sabe o mundo não esteja preparado para mim. Seria uma conveniente desculpa e uma eloqüente verdade com a qual eu viveria sem dificuldade – minha cadeira de rodas –, mas me faria continuar nesse movimento perpétuo.

Tenho por amargos os dias em que forçava o sorriso e desejava bom dia aos familiares estranhos de sempre. Agora, quero que me vejam, que me toquem, que possam distinguir meus oceanos profundos de minhas marés baixas, meus movimentos mais delicados sem que eu diga palavra qualquer.

Foi difícil manter minha cabeça aberta e aceitar o que eu sou, minha função nas engrenagens de tudo, meu super poder. Achei que produzia sorrisos e descobri que apenas dava-lhes os meus. Quis crer que no centro do palco me veriam, mas nenhum deles quis enxergar alguém além de tantas cores e piadas.

O disfarce perfeito para minha melancolia; de tanto o vestir me vi preso nele. Não tenho as chaves da cela que criei, me internei voluntariamente e não me deixam mais sair.

Dei todos os sorrisos que tinha e já não me resta muita coisa. Um bocado de lembranças, roupas velhas guardadas em gavetas, sapatos que nunca me serviram e um maço de cigarros. Quem dera quisessem partilhar um pouco de minhas angústias também.

Se eu fosse poeta saberia como me defender, mas sou só mais um palhaço triste a se repetir.


Autor: Raphael Rocha

Participante do Choro do Palhaço.

Autor do Blog: http://noneedforinnocence.blogspot.com/


Nunca gostei de palhaço.
Nunca gostei daquela cara pintada, a esconder a tristeza.
Palhaços, na verdade, nunca me enganaram.
Ainda criança, enquanto as demais riam das piruetas e das piadas repetitivas,
eu ficava a olhar aquela face branca de boca desenhada
e nariz vermelho
e pensava, com os meus botões:
"A quem ele pensa que diverte?
Coisa mais sem graça esse marmanjo
vestido de criança e tentando ser engraçado".
Assim, sempre tive birra desse ser caricato.
Até que...
Até que a vida fez-me também um palhaço.
Um dia, vi-me obrigada a mentir.
E, embora me sentisse mal no primeiro momento,
acabei me acostumando.
Afinal de contas, não se pode dizer a verdade todo o tempo.
Como dizer àquela senhora que o cabelo recém-pintado está horroroso,
ou àquela criança que o pai, do qual ela tanto se orgulha e quer imitar, é um canalha?
No outro dia, vi-me obrigado a dizer coisas "engraçadas"
quando tinha vontade de chorar...
Senti-me péssimo, claro! Mas, como dizer à minha avó que ela estava com câncer
e que, em pouco tempo, ia morrer?
Preferi contar-lhe um dos causos mineiros de que ela tanto gostava
e ver, talvez pela última vez o seu sorriso, do que fazer o que eu tinha vontade
no momento, que era apertá-la com força
junto ao peito e chorar.
Outro dia, ainda, vi-me obrigado a colocar
uma máscara de falsidade no rosto
e dar um lindo sorriso, quando me roía de raiva por dentro.
Afinal, como fulminar com palavras grosseiras o homem
que era o meu chefe,
se eu precisava tanto daquele emprego
a fim de ajudar a família?
E, finalmente, um dia percebi que eu era tão pateticamente sem-graça
quanto o palhaço que eu sempre odiara.
Aliás, era ainda mais... porque o palhaço, pelo menos,
fazia toda aquela encenação no palco, a fim de arrancar risadas das crianças
e garantir a sua subsistência...
E eu, pobre de mim, nunca ganhei um tostão sequer,
para fazer meu show...
e a minha platéia, jamais me aplaudiu...

Autor: Lucas Lisieux



Alguém me disse que você
perguntou por mim.
Queria saber como estou?
Eu estou assim:
do jeito que você me deixou.

Como um triste palhaço,
que a ninguém consegue divertir;
que acaba causando embaraço
na criança que não pôde sorrir.

Como num circo vazio
meu coração-domador
tenta vencer esse desafio:
reconquistar a platéia do amor.

Depois de você,
não me acertei com ninguém.
Sabe por quê?
Só você me faz bem!



Autor: Hernany Tafuri


domingo, 23 de maio de 2010


O Cenário Antecedente

Em certo dia comum, em horário comum, em lugar comum, observávamos pessoas comuns. Foi aí que, como um raio que cai em uma tempestade, percebemos que alguns indivíduos não tão comuns, se destacavam. Não digo do destaque comum que os tidos como os mais bonitos, ou os mais elegantes, ou os com os corpos mais esculturais recebem, e sim do destaque “engraçado” que alguns obtinham. Os menos padronizados e, portanto menos comuns, eram motivos das risadas alheias. Isso também era comum.

Dessas breves observações perfeitamente comuns, enquanto escutava o álbum “O Grande Circo Místico” de Chico Buarque e Edu Lobo, notei que estava prestes a dar a luz ao que, dias depois, intitulei de: O Choro dos Palhaços.

O Choro dos Palhaços

Então, não consegui mais dormir antes de vislumbrar, ainda que só em pensamentos, a realização do Projeto. A idéia inicial consiste em uma exposição criada por pessoas comuns brincando de artistas (ou artistas brincando de pessoas comuns) com o tema: Palhaços Tristes.

Como Assim?

É isso mesmo. Uma exposição. Composta por todo tipo de artes e pseudo-artes, relacionadas com o tema “Palhaços Tristes”: poesias, textos, frases, palavras soltas, telas, quadrinhos, desenhos, rabiscos, borrões, teatros, mímicas, grafites, músicas, danças, fotografias, vídeos, discussões, caricaturas e claro, os próprios Palhaços Tristes.

E daí?

Os passos iniciais para a concretização do Projeto consistem na reunião das pessoas comuns interessadas, que assim como eu, já notaram algum palhacinho triste escondido no espelho, ou muito próximo delas. Para fins de organização e divulgação da idéia, criei o blog: WWW.palhacostristes.blogspot.com, no qual vou postar o material que for recebendo das pessoas dispostas.

E então?

Após a reunião de um bom número de material criado por palhaços-tristes ou por simpatizantes da idéia, a exposição será realizada além do mundo virtual. Neste dia, armaremos o circo, e palhaços-tristes recitarão poesias, cantarão, dançarão e colocarão seu discurso em pauta para quem queira ver e ouvir. Será o Choro do Palhaço.

Mas, Pra que?

Para impactar e gerar reflexão do respeitável público.

Por meio da exposição, e do grito do Palhaço Triste, pretende-se fazer com que os participantes artistas ou não, reflitam sobre o seu cotidiano como suporte para o árduo processo de auto-reconhecimento do seu Palhaço-Triste e do alheio.

Finalmente, objetiva-se transformar o Choro triste do Palhaço em lagrimas de alegria e aceitação de quem ele é independente de maquiagem ou nariz vermelho.

Quem pode participar?

Qualquer um que tenha se interessado pela causa.

Como fazer parte?

Entre em contato comigo através do email thobila_gabriela@hotmail.com ou mesmo por meio do Blog do Projeto WWW.palhacostristes.blogspot.com .

Muito Obrigada e que o espetáculo se inicie...

Thobila Gabriela de Lima Costa ou também conhecida como Yeruska...


Quem são vocês Palhaços Tristes?

Sei que são vários. Sei que possuem diversos tamanhos e formatos. Sei também que muitos de vocês, se escondem. Ou nem sequer possuem consciência de que fazem parte desse picadeiro.

Convivemos todos os dias com um turbilhão de idéias que sistematicamente nos são impostas. Cabem a nós, meros mortais, na maioria das vezes aceitarmos. Sem muito questionarmos, rapidamente nos acostumamos com a padronização de comportamentos, de vestuários, de alimentação, de credos e crenças e até mesmo da “beleza”.

Ai do sujeito que não se enquadrar neste padrão que nos é ditado.

Ai daquele que não possui o rosto perfeitamente simétrico. Ou que está gordo ou que é exageradamente magro. Ai do sujeito que possui o nariz avantajado, ou a voz muito fina, ou é manco de uma perna. Ai daquele que foi reprovado no vestibular pela décima vez, ou aquele que passa horas remendando seu agasalho antigo que já enfrentou varias gerações. Ai daquele que possui os olhos estrábicos, ou que carrega as marcas da queimadura de terceiro grau no seu rosto. Ai daquele que não consegue combinar as peças de roupas, ou que possui um sotaque diferente, ou seu rosto está tomado por espinhas. Ai de quem não possui um celular, um computador e um mp4. Ai daquela que tropeçou na rua e foi parar no chão. Ou do moço que gagueja na hora de falar. Ou da mulher que transpira excessivamente...

A nossa sociedade além de ser consumista, é geradora de incontáveis resíduos. Resíduos estes, que muitas vezes são pessoas, que como não se podem simplesmente serem jogadas em uma lixeira comum, são marginalizadas e/ou viram Palhaços- Tristes.

Palhaços-Tristes que precisam se maquiar e colocarem um nariz vermelho, para conseguirem se sentirem aceitos. Palhaços que, muitas vezes, pela simples presença, são geradores de diabólicas risadas alheias. Felizes e aceitos por fora, mas, por dentro a não aceitação consigo e a recorrente Tristeza.

Verdadeiros Palhaços-Tristes.


Cada vez que reparava no espelho, e no brilho já se apagando dos seus olhos, sentia uma compressão no peito e na alma.

Todos a desconheciam sem aquela maquiagem, e sem o seu habitual nariz de palhaço. Até ela era sua desconhecida.

Talvez seu erro fosse o excessivo sonhar...

A palhaça do espelho ao encontrar uma lona, se deslumbra, faz daquilo um picadeiro e anuncia aos quatros cantos o espetáculo utópico que está a construir...

E faz planos, se inquieta... Traça rotas e convida artistas...

No dia esperado, depois de tanto anunciar e o circo levantar o inesperado ocorreu.

Ninguém compareceu.

Nem artistas, nem palhaços, nem amigos. Nenhum publico.

Do seu bolso ela tira um pequeno espelho, e percebe que não sabia se havia de rir porque nada era propriamente engraçado. Ao contrario.

Tampou seu rosto com as mãos envergonhada, sentindo suas bochechas corarem.

Refletiu e percebeu que fez de uma velha lona um espetáculo, faz dela sua maior alegria e de repente sua maior tristeza.

Ela olhava o espelho, seus sonhos estavam ali, contidos... Seus olhos se alargavam misteriosos.

_Por que não existir espetáculo se eu estou aqui?

Foi aí que a palhaça triste do espelho, finalmente sorriu...

sábado, 22 de maio de 2010

video

Ela ri. Enquanto chora. Fica Muda. Enquanto muito fala. Grita. Quando silencia. Escreve. Quando desenha. Nega. Quando diz sim. Chora. Enquanto ri. Sente-se só. Enquanto se rodeia de multidões. É corajosa. Enquanto sente medo. Acende a Luz. Enquanto se apaga. Odeia. Mas, na verdade ama.
Tudo bem. 
É que ainda me assusto. É que ainda nem sequer contei tudo. Não mencionei que, por vezes me sento imóvel, como se não participasse do mundo, apenas o observasse. Observasse como quem se encontra além do dualismo, e como se me fosse permitido ignorar as particularidades e mergulhar em julgamentos. Isso.
Como se eu pudesse concluir sentenças por meio das minhas observações. Me sento imóvel e observo um palhaço triste. Um grande palhaço triste. E eu sabia que enquanto eu o observava o mundo me escaparia e eu me escaparia. Pois observava-lo era engraçado, quase me explodia em risos. E rir me contradiria, contradiria em mim a minha substancia. Então, aquilo que, por respeito a mim, eu não queria rir, então eu ri. Não tolerei me interromper, e ri. O que na verdade eu já estava rindo. Só haveria um modo de me impedir. 
Era sê-lo. 
Como se o pecado da risada, me absolvesse, e até mesmo se tornasse um antipecado, a partir do instante, que ele (o palhaço triste) fosse eu. 
Estaria eu alargando demais a risada e toda a coisa, para exatamente ultrapassar o palhaço e o meu eu? Acho que não.
 No entanto, ao me transformar nele, prossigo em sentido oposto. Em rumo a aniquilação do que arduamente construí. Prossigo em rumo a despersonalização. Sim. De repente, me despersonalizar torna-se meu ideal. Despersonalizar-me é a minha manifestação máxima, que tão logo, nem sequer poderia chamar “minha”. Se, finalmente, me alcançar pelo ato de despersonalizar, poderei reconhecer o alheio sob qualquer aparência ou disfarce. E, verei não mais a maquiagem estereotipa do palhaço triste, mas o humano comum a todos os humanos. 
E pela simples existência dele, me será revelado quem sou.

Demorei um pouco ate entender aquilo que eu estava vendo. Estava vendo uma criança, vestida de palhaço. As vestes já velhas, coisa de 3ª ou 4ª mão. O rosto mal pintado, sugerindo que foi ele mesmo quem se pintou. E, calçado de pernas altas. Pernas de pau. Era uma “esperança” vestida de palhaço, no sinal de transito, pedindo dinheiro, cambaleando sobre aquelas madeiras. Depois ela andou bem devagarzinho sobre a calçada. Parecia a ilustração de algum livro, como se tivesse saído do papel e andasse. Parecia cansada, sonâmbula, mas determinada. As pernas davam a sensação de tão quebradiças, que se uma folha caísse sobre a criança, despencaria. Ela, a “esperança” vestida de palhaço, movia-se com uma determinação, como se fosse o chefe de uma família. (E devia mesmo ser). Essa desnutrida esperança, de pernas compridas que caminharia de carro em carro, andava em triste silencio, sem tragédia. 



É uma coisa. Não, não. É um rapaz. Quieto. Se bem que de vem em quando ele fala. É! Acho que fala sim. É! Isso! Ele fala sozinho. Até isso é engraçado. Ele senta por ali ó. Encurralado naquele canto. Sem mais nem menos. É muito engraçado. Qualquer coisa que ele faça é engraçado.
Ele já deve tá chegando, acho que todo dia ele vem. É! Não me lembro dele faltar alguma aula. O quê??? Você tá brincando? Ele suicidou? Já fazem três dias? 
Que engraçado...


O que um dia foram meras gotas na janela, transformaram-se em dilúvio...
Era ele pela rua, adentrando à noite escura. O pior era o temor de ver seu reflexo em uma poça formada na avenida. Ali sem abrigo. O Universo o expelia, o Universo o expeliu para o seu universo particular...
Mas, ele não cabe no formato universal.
Era extenso demais.
Sua roupa colorida, com listras descombinantes, cheia de babados assimétricos está ensopada. A peruca cacheada, que já estava desgastada, agora se encontrava com cabelos escorridos e certamente mofarão com essa excessiva umidade.
Na rua alagada ele só vê pés, não ousaria levantar a cabeça e deixar que vissem que sua maquiagem se borrou. A boca perfeitamente desenhada de outrora era agora um borrão branco sujo. Precisou tirar o nariz de plástico vermelho, porque com tanta água no seu rosto não podia respirar só pela boca.
Pelas esquinas ele se impunha, torcendo ser hoje o dia que um carro não paralisasse seu motor e o acertasse. Mas, não havia carro que não o notasse.
Era grande demais.
Então ele só queria sua casa, as roupas chamativas e empapadas o incomodavam.
Era ele a alegria feroz de varias pessoas. A felicidade demoníaca daqueles que cabem perfeitamente no formato Universal, era ele.
O Palhaço Triste só queria a sua casa.
Andava sem rumo, ruas e ruas, cruzamentos e cruzamentos, mais se arrastava do que andava. Parar que era perigoso. Se parasse, poderiam notar que seu sapato engraxado e lustrado, não mais tinha solado, e seus pés estavam gastos.
Da sua desmedida desolação ele só queria que fosse disfarçado.
Alguém, na calmaria quente e seca de uma marquise, disse em meio a risadas explosivas: Que coragem, hein, palhaço! Mas, não era coragem, era o temor. O escuro. A chuva. O medo. Ele não se encaixava no universal.
Era vasto demais.
A verdade, sem pudor, é que o gerador de risadas, tinha chorado. Constantemente, chorado.
 

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